quinta-feira, janeiro 22, 2004

Ó DESCENDENTE DO PÓ!

Não te contentes com o ócio de um dia passageiro, privando-te do repouso eterno. Não troques o jardim de infindável deleite pelo monte de pó que é o mundo mortal. De tua prisão, ascende aos gloriosos prados do além e, de tua gaiola mortal, alça teu vôo até o paraíso do Infinito.

(Bahá'u'lláh, As palavras ocultas)


Saí no quintal. Sentei na cadeira e me coloquei a receber os sinais.

- “Deus, me ajude. O que eu preciso entender?”

Acima da minha cabeça, somente o céu. Do meu lado direito, um muro que divide minha casa da do vizinho, e do meu lado esquerdo, uma árvore que balançava segundo os ditames do vento. À minha frente, casas e igrejas silenciosas, e o horizonte lá no fundo, onde as nuvens desenhavam-se azuis escuro, mas à esquerda, mostravam-se num tom mais claro.

Primeiro, uma rajada de vento. Senti frio. As situações a que estamos sujeitos no mundo, evidentemente nos afetam, porém o grau de atenção que devemos despender à elas deve ser estipulado em proporção exata à sua duração e a de seus efeitos. Lembrei das palavras de Bahá'u'lláh:

“Fugidias são as riquezas do mundo; tudo o que perece e muda é, e sempre foi, indigno de atenção, salvo em uma medida reconhecida.” (Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh)

Percebi as nuvens, a grandeza, a harmonia e a perfeição da natureza. Algumas aves voando certeiramente em direção à árvore ao meu lado, realizaram seu pouso de forma majestosa. Admiração. A perfeição da criação me inundou esplêndido da grandeza, sabedoria e beleza de Deus.

É certo que já vivi em estado de admiração e é certo que estes foram momentos de descobertas de sentimentos gloriosos e relacionamentos profundos e duradouros. Mas também é certo que esse estado não foi constante em minha vida. Ventos. A beleza vazia da miragem no deserto se fez atraente e fui me entreter.

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