11 de Março
As nações do mundo, pela maior parte, caíram vítimas de ideologias em conflito, que ameaçam solapar os próprios fundamentos de sua unidade política que foi ganha a tanto custo. Multidões agitadas nesses países olham para eles com desagrado, estão armadas até os dentes, em terror, pânico e gemem sob o jugo das tribulações engendradas por luta política, fanatismo racial, ódios nacionais e animosidades de religião. 'Os ventos do desespero', Bahá'u'lláh afirmou inequivocamente, 'estão, lastimavelmente, soprando de todas as direções, e a luta que divide e aflige a raça humana aumenta dia a dia. Os sinais de caos e convulsões iminentes podem atualmente ser discernidos...'
(Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina)
Os ataques ocorridos em Madri são sinais dessas convulsões. Sinais trágicos. Sinais que chegam todos os dias através da mídia (e outros silenciosos, mas nem por isso menos trágicos: a miséria de povos inteiros).
Como isso ainda pode ser possível em um mundo já marcado pelas profundas cicatrizes de duas guerras mundiais? Será que ainda não aprendemos a lição?
Não se trata de guerra entre governos, de um grupo descontente com uma determinada linha política ou de algum tipo de fanatismo religioso, mas sim da doença mortal por trás desses sinais: a falta de espiritualidade.
A Casa Universal de Justiça em uma mensagem aos jovens reunidos durante o Congresso de Juventude Bahá'í em 2000 no Paraguai, disse a respeito das injustiças sociais da América Latina:
"Por quê – e a pergunta precisa ser feita claramente – tem esta sociedade sido impotente, a despeito de sua grande riqueza em remover as injustiças que estão rompendo o seu tecido social?
A resposta a esta pergunta, como amplamente evidenciado por décadas de uma história tão cheia de conflitos, não pode ser encontrada na paixão política, nas expressões antagônicas de interesses classistas, ou em soluções técnicas. O que é necessário é um renascimento espiritual, como pré-requisito para a aplicação bem sucedida de instrumentos políticos, econômicos e tecnológicos. "
(A Casa Universal de Justiça, 8 de janeiro de 2000)
Esse renascimento espiritual é a cura para as injustiças sociais e outras manifestações mais diretas de crueldade, como as ocorridas em Madri.
É por isso que recebo essas notícias e, acompanhado da tristeza, renovo as energias para proclamar e continuar trabalhando para que os seguintes princípios sejam firmemente estabelecidos:
A Unidade da Humanidade: "... hoje todos os horizontes do mundo estão iluminados com a luz da unidade... fomos criados para levar avante uma civilização em constante evolução..."
A livre e independente busca da verdade: "A luz é boa, não importa em que lâmpada brilhe... uma flor é bela, não importa em que jardim floresça..."
A eliminação de todas as formas de preconceitos e discriminação: "...somos as folhas e os ramos de uma mesma árvore... as gotas de um único mar..."
A igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher: "A humanidade assemelha-se a um pássaro, uma asa é o homem e a outra, a mulher. O pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio dessas duas asas..."
A harmonia essencial entre a religião, a razão e a ciência: "A verdade é uma só e é indivisível... o progresso da humanidade depende desses fatores..."
Educação compulsória universal "O homem é uma mina rica em jóias de inestimável valor, a educação, tão somente, poderá fazê-la revelar seus tesouros..."
Fonte: Comunidade Bahá'í
Esse é o meu jeito - e o de milhões de outras pessoas ao redor do mundo - de responder à essas convulsões.
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