A normal life
Assisti hoje um trecho do documentário "A normal life", de Hugo Berkeley - 1999. O documentário acompanha a vida de alguns jovens de Kosovo durante a primeira eleição naquele país e tem esse nome porque, segundo o diretor, era a resposta das pessoas quando perguntadas sobre o que elas mais queriam.
Os jovens acompanhados no documentário estavam envolvidos de forma direta com o momento político que o país vivia, principalmente através da imprensa. Aparentemente todos são estudantes de jornalismo. Uma moça trabalha para mídia impressa; outro trabalha na TV, âncora por um programa que entrevista os candidatos à presidência; outro ganhou uma bolsa para estudar jornalismo nos EUA.
Vale a pena conferir. Veja as datas e horários no canal Max Prime.
Infelizmente ainda não o assisti inteiro, coisa que pretendo fazer no dia 19.
Mas gostaria de destacar um dos aspectos interessantes: o contraste apresentado entre a vida daqueles jovens em Kosovo naquele importante momento político do país, e o jovem vivendo nos EUA. Ylber, o jovem de Kosovo que ganhou a bolsa para estudar jornalismo nos EUA, fala sobre sua experiência de ter deixado seu país:
Now, the point is to make the change from collective thinking to more personal goals
Essa frase mostra o espírito da coisa. De um lado os jovens mobilizados acompanhando um significativo avanço de seu país, lidando com o forte sentimento de seus cidadãos após intensos anos de guerra, e que agora tinham à sua frente a perspectiva de grandes melhoras através de um avanço democrático, no qual eles teriam participação ativa. Do outro lado, o que aquele jovem tinha à dizer de sua vida nos EUA, era que, se você namorar uma garota americana, pode se considerar incluído socialmente.
Em outro momento ele fala que estava sendo difícil acostumar-se a viver a vida sem a dramaticidade de seus dias em Kosovo. Como se faltasse algo que desse sentido à vida, à razão de se estar ali e viver daquela maneira. Senti como se ele perguntasse, olhando para a vida cotidiana dos americanos: "O que move essas pessoas? Qual a razão de suas vidas?". Distanciado subitamente daquela força trágica onde sua vida girava em torno, é natural pensar que ele agora tivesse que se perguntar: "e agora?".
Lembrei de um dos diálogos do filme waking life:
"Giacometti, uma vez, foi atropelado por um carro, e recorda , num desmaio lúcido, ter sentido súbita alegria ao perceber que, afinal, algo lhe acontecia."
Alguns trechos dos diálogos de waking life
Seria a tragédia necessária para dar sentido à vida? Acredito que não... a não ser que ela traga consigo o sofrimento: este sim, o caminho que precisa ser trilhado para se chegar ao auto-conhecimento e a felicidade.
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