Um circo no Iraque
(...) Durante a guerra eu estava em um hospital e havia um menino cuja casa fora destruída por um míssil. Ele estava traumatizado, não respondia a nada, até um amigo meu começar a fazer bolinhas de sabão. Ele observou durante um tempo, levantou e estourou uma delas. Foi a primeira coisa que o fez sorrir desde o bombardeio.
(..) As meninas e jovens mulheres, em especial, adoraram ver uma mulher no espetáculo. Nos campos de colonização percebemos que cada vez em que voltamos, a confiança das meninas crescia e elas brincavam mais e mais.
(...) Tivemos que conseguir uma permissão de viagem para nos movermos pelo Curdistão, supostamente US$ 60 para nós quatro, mas nós ficamos fazendo palhaçada para os guardas e todos vieram nos pedir para fazer mais truques. Então dissemos que mostraríamos um novo truque por US$ 60. O acordo foi o seguinte: se conseguíssemos impressioná-los com a mágica eles nos dariam a permissão. Fisheye [Sam, outro integrante do grupo] fez um cigarro desaparecer na frente de seus olhos e Peat [outro integrante] fez malabarismos com as coisas que estavam na mesa do administrador e pronto, tínhamos a permissão.
(...) Visitamos também lugares onde havia crianças surdas. No campo de refugiados curdos turcos perto de Erbil, no Curdistão, havia um menino surdo. O Luis colocou o didgeridoo em seu ouvido e ele pode sentir as vibrações. Foi a primeira vez na vida em que ele pôde ouvir música. Nunca vou esquecer o olhar de pura alegria em seu rosto.
(...) Esse tipo de coisa acontecia com freqüência, pessoas nos contando que as crianças voltaram a sorrir, que passaram a desenhar palhaços ao invés de tanques, que foi a primeira vez que as escolas voltaram a ficar cheias com alegria ao invés de os alunos serem obrigados a cantar músicas exaltando Saddam...
Um circo no Iraque
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