terça-feira, agosto 24, 2004

Esse post surgiu a partir de uma conversa que tive com meu irmão Lunaé Parracho (Veja um de seus ensaios, "Ver o mundo", publicado no fotosite) e da minha vontade de me aperfeiçoar na técnica fotográfica. Resolvi colocar no blog para que mais pessoas possam contribuir e se beneficiar da discussão.



Técnicas fotográficas: testes com a Câmera digital Canon A70



Observações



Calibre seu monitor através do Adobe Gamma ou ajustando através de uma escala de cinza.


As próximas fotos foram utilizando o modo M da máquina. A canon A70 possui diversos 'modos de disparo' que te dão ou bloqueiam acesso à funções na máquina. Dessa maneira, o modo automático é o mais 'engessado', e o modo "M" o que nos dá mais liberdade.




  • Auto: A câmera seleciona todas os ajustes automaticamente

  • P: Programa AE (a camera estabelece automaticamente a velocidade de obturação e a abertura, de maneira que ambos valores se ajustem à luminosidade da cena)

  • Tv: AE com prioridade à velocidade de obturação (permite ajustar a velocidade de obturação, e a câmera ajusta automaticamente um valor de abertura adequado para a luminosidade do objeto)

  • Av: AE com prioridade à abertura (permite ajustar a abertura [qtde. de luz que passa através da lente], e a câmera ajusta automaticamente a velocidade de obturação)

  • M: Exposição Manual (permite ajustar manualmente a velocidade de obturação e a abertura)



Existem também a chamada "Zona de Imagens", que seleciona automaticamente alguns ajustes de acordo com o tipo de composição da imagem.




  • Retrato

  • Paisagem

  • Cena Noturna

  • Velocidade de obturação rápida

  • Velocidade de obturação lenta
  • Ajuda de 'Stitch'

  • Película (video)



Para esses testes preferi não utilizar a "zona de imagens", apenas a "zona criativa" no modo "M". Ver as funções disponíveis para todos os modos.. Ver funções disponíveis apenas para o "modo criativo" ("P" a "M")



Iniciando os testes




  • Todas as fotos foram tiradas com resolução de 2048x1536, modo Superfine (qualidade máxima dessa máquina), com exceção das que pretendem mostrar o ambiente, que foram tiradas no modo automático em 640x480.

  • Todas as fotos foram diminuidas para largura de 400px (nas fotos verticais, 400px de altura), e salvas em JPEG com 84% de qualidade.

  • O branco foi "tirado" através de uma folha sulfite, no local onde está o carrinho

  • Não foi utilizado nenhum tipo de efeito

  • Utilizei foco manual (10 cm)

  • Modo de medição de luz: "Media pesada do centro". (Página do manual que explica essa opção)





Ambiente









Foto 1




Abertura: F7.1

Exposição: 0"4

ISO 50





Foto 2




Abertura: F5.0

Exposição: 1/6

ISO 50





Foto 3




Abertura: F2.8

Exposição: 1/25

ISO 50





Foto 4 (mesma abertura e exposição da foto 3, mas com iso 100)




Abertura: F2.8

Exposição: 1/25

ISO 100





Foto 5 (mesma abertura e exposição da foto 2, mas com iso 100)




Abertura: F5.0

Exposição: 1/6

ISO 100





Foto 6 (mesma abertura e exposição da foto 1, mas com iso 100)




Abertura: F7.1

Exposição: 0"4

ISO 100




Depois bati uma com ISO 200 pra testar:




Foto 7




Abertura: F4.5

Exposição: 1/13

ISO 200




Algumas reflexões




  1. Li no manual que quanto maior o ISO, maior o "ruído". Por isso iniciei com ISO 50 (menor que Canon A70 permite), mas considero que as fotos ficaram escuras. Podia ter tentado tirar algumas mantendo o ISO 50, mas com maior exposição.

  2. A última foto (foto 7) com ISO 200, em um monitor (AOC, calibrado através da escala de cinzas) deixou as cores um pouco 'lavadas'. No outro monitor (Samsung calibrado pelo Adobe Gamma) as cores ficaram mais claras que as da foto 6, mas não ficaram 'lavadas'.

  3. O visor da máquina tende a exibir a imagem um pouco mais clara do que ela é exibida no monitor. Será que é um bom viciar em 'prever' as fotos pelo visor da máquina?

  4. Considero a foto 6 a melhor dessas fotos. O que vocês acham? Como essa foto poderia ser melhorada / melhor batida? Vamos conversar.



Pretendo fazer mais testes como esse, porém um em algum lugar que me dê melhor controle sobre o ambiente e outro ao céu aberto.



6 comentários:

Anônimo disse...

Rafael, irmão, que ótimo esses testes para entender os aspectos técnicos da câmera fotográfica, são importantes, a experiência, a prática, os ?ensaios?... É interessante isso, lembro que fiz testes semelhantes, com batatas iluminadas primeiro por uma lâmpada incandescente, depois à luz do sol, passei várias noites e dias repetindo os testes, tentando diferentes ângulos e anotando as medições ... Sobre a câmera que está usando, me ocorreu uma dúvida: há alguma opção que permita selecionar manualmente a abertura (diafragma) e a velocidade (obturador)? Eu vi as páginas do manual, mas não encontrei esse provável modo. Caso não haja, é possível ?travar? a medição (talvez apertando e ?segurando? o botão de disparo até a metade, depois re-enquadrando, e depois pressionando-o por inteiro)? Pergunto isso, explico, porque se esse tipo de controle for possível, você pode buscar fotometrar a luz em cada ?parte da cena? e aí fazer uma média (que é o que o modo geral faz), mas você pode também fotometrar a luz em uma parte específica e daí ter um controle de maior precisão dos contrastes, escolhe entre: ?deixar vir? as sombras ou ?estourar a luz?, ou ainda, re-posicionar o objeto ou a direção da luz (quando é possível fazer isso) para alcançar uma iluminação mais suave, se for a intenção. Gostei também das fotos 6 e 7, me atrai aquela luz intensa ao fundo, mas gostei também da foto 4, por causa da pouca profundidade de campo.

Profundidade de campo: Quanto mais ?fechado? o diafragma(maior o número f), maior fica a área em foco, para a frente e para trás, o foco, a definição, dos detalhes ao fundo se torna maior e vice-versa.
Quanto menor o iso do filme, menos sensível ele é à ação da luz e vice-versa.
Para cada ponto a mais no iso (exemplo: de 100 para 200 ou de 200 para 400), você têm que ?abrir? um ponto ou no diafragma (diminui o número f, que permite a ?entrada? de maior quantidade de luz ex.: de 5.6 para 4 ou de 4 para 2.8) ou no obturador (aumenta a velocidade ex.: de 1/125 para 1/60) para alcançar a mesma fotometria que o alconçou no outro filme (mas ainda terá alteração na profundidade de campo ou velocidade (muito baixa: borrões-arrasta o movimento, muito alta: paralisa movimento), à sua escolha.

Fotometrar ? medir à luz é então igual a controlar a quantidade (diafragma) de luz e o tempo (obturador) pelo qual o filme será exposto àquela velocidade. Todas as câmeras funcionam assim.

Vamos continuar...

abraço,
Lunaé

Anônimo disse...

errata: As palvras que aparecem entre dois pontos de interrogação, na verdade estão entre "aspas"... Não sei se digitei errado ... talvez deveria ter usado: '
valeu, Lunaé

D.X. disse...

totally.

Rafael disse...

Luna, obrigado pelo comentário.. a canon A70 permite escolher manualmente a abertura (diafragma) e a velocidade (obturador) (nos testes que fiz, coloquei a velocidade como 'exposição', como abreviação de 'tempo de exposição'.. é certo usar esse termo também? Nesse teste fui escolhendo essas opções de acordo com o que eu achava adequado, vendo o resultado no visor).

Não havia atentado para a questão da profundidade de campo. Assim que você falou comecei a brincar um pouco com isso, tentando manter o diafragma com maior abertura (mais próximo de f/2), e compensando com maior exposição ou com o ISO para alcançar a luminosidade desejada (luminosidade desejada = fotometria?).

Pude perceber o quanto de "ruído" o ISO mais alto produz.. penso que sempre que for possível, é melhor evitá-lo, não? Podemos compensar com maior tempo de exposição, quando tivermos condições de manter a câmera parada ou quando quisermos que a imagem saia borrada mesmo.

Obs.: estranho ter saído interrogação ao invés de aspas na primeira mensagem.. acho que foi problema no blog.

Anônimo disse...

Rafael,
tempo de exposição é = a velocidade. desculpe, é que me acostumei a expressar-me dessa forma. A 'exposição' em si, envolve além do tempo ao qual o filme esteve exposto, a quantidade(f) de luz que alcançou o mesmo...

(luminosidade desejada = fotometria)É sim cara, fotometrar é 'medir a luz', o fotômetro da máquina nos dá uma referência do que seria a iluminação 'ideal', assumindo normalmente que todos os objetos refletem 18% (cinza) da luz que incide neles. O fotômetro pode chegar à essa referência, considerando todos as 'zonas' do quadro (comumente chamado medição geral) ou algum ponto ('zona') específico do quadro indicado pelo fotógrafo ('pontual') ou a medição ponderada no centro, que você mencionou, que dá um 'peso' maior à luz no centro (aproximadamente 10% do visor) para chegar à 'média' ... A indicação do fotômetro é apenas uma referência porque a maioria trabalha com aquele presuposto, da reflexão do cinza 18% (que é mais ou menos a reflexão da cor da pele caucasiana), portanto não considera variações de cores, e também porque é 'média', quer dizer, você usa essa referência para poder 'interferir' na fotometria/medição, trabalhando principalmente com contrastes, que têm a ver com a 'interpretação' da luz na fotografia...

Tem razão, é melhor usar o ISO menor, sempre que as condições permitirem... Em filme, quanto menor o ISO, menores (e em mais quantidade) os grãos que formam a imagem, por isso a 'resolução' é maior. Quando o ISO vai aumentando, os grãos também vão aumentando para ceder à latitude de exposição e daí perde-se nitidez, porém em negativos 35mm, avanços tecnológicos permitem baixa granulação em ISO alto, como 400 ou 800... Não sei como isso funciona exatamente em digital. Os grãos do filme são os 'pixels'...

A profundidade de campo é um aspecto importante mesmo, não é? Com os testes vai se aprendendo a controlar o quanto se quer de foco, principalmente ao fundo, essa 'medida' também pode alterar profundamente a interpretação da cena, dessa forma se pode 'subjugar' todo um acontecimento, à um detalhe específico (trabalhando em conjunto com o enquadramento) ou contextualizar um motivo à um ambiente ou acontecimento, e ainda 'imprimir' uma 'ilusão' de 3d, acrescentando planos ao fundo, trabalhando com linhas de fuga e formas (algo como a 'geometria' do enquadramento) ... (a impressão da 'ilusão' de uma perspectiva tridimensional também pode se alcançar trabalhando o contraste, volumes de sombras...) Acho que um ótimo exemplo disso é aquela foto que você fez da árvore em P&B, que está no superzoom, gosto muito dessa imagem... Gosto do contraste e da perspectiva que você 'escreveu'. É uma verdadeira poesia...

Abraço forte,
Lunaé

Rafael disse...

Luna, valeu pelas explicações.. pra quem tá começando, pode gerar confusão o uso de diferentes termos para a mesma coisa.. mas quando a gente começa a entender como a coisa funciona, fica mais fácil.

Então acho melhor não usar apenas 'exposição' para 'tempo de exposição', não? Já que 'exposição' implica também além do tempo, a quantidade de luz que alcançou, como você explicou.

Ainda não peguei muito as manhas de usar os diferentes tipos de medição de luz (medição geral, pontual ou ponderada ao centro).. por exemplo, em um enquadramento que reune um objeto bastante iluminado e sua sombra escura.. se 'fotometrarmos' (ponto indicado pelo fotografo) pela parte mais clara, ou escolhendo o ponto mais escuro.. qual a diferença? A câmera irá emitir avisos de subexposição ou superexposição de acordo com esses pontos?

É verdade, a profundidade de campo é muito importante... pode alterar drasticamente o 'sentido' da foto.. Fiz mais alguns testes pra tentar dominar a técnica, vou publicar aqui. Sinto falta de um ambiente legal pra fazer os testes.. aqui em casa peguei um abajur de lâmpada fria, improvisei alguns refletores com papéis brancos e tirei várias fotos. Vou publicar algumas em um próximo post... se tiver algumas dicas de improvisação de iluminação e refletores, são bem-vindas :)

Preciso de um tripé também... está fazendo falta.

Uma curiosidade.. quando você sai pra fotografar, já deixa alguns ajustes pré-configurados para não correr o risco de perder o assunto enquanto realiza esses ajustes? (caso ele seja muito rápido? :)) Nas suas fotos do ensaio "Ver o mundo", como foi? Fez os ajustes na hora mesmo, olhando para o assunto?

Obrigado pelo comentário sobre a foto do caminho e da árvore.. comentários sempre me fazem rever a foto, buscando o olhar do outro.