
"A reportagem é um gênero literário que, infelizmente, está desaparecendo. Numa boa reportagem, o leitor conhece a história tão bem como se estivesse no local dos acontecimentos."
-- Gabriel García Marquez
Acabo de ler "Notícia de um seqüestro", de Gabriel García Marquez, livro que acompanhei com grande interesse do início ao fim. Sabe aqueles livros que você começa a ler e não quer parar mais? Avança madrugada adentro, já cansado, mas ainda assim persiste na leitura? Então.
O livro conta a história dramática de um período nebuloso na história da Colômbia, em que diversos jornalistas foram sequestrados a mando de Pablo Escobar para fazer pressão contra o decreto de extradição formulado pelo governo colombiano em parceria com os Estados Unidos, que previa a extradição de traficantes colombianos para julgamento e pena nos Estados Unidos. Escobar usou dessa arma para pressionar também contra os abusos cometidos pela polícia contra o narcotráfico.
O drama dos personagens envolvidos, desde Pablo Escobar até o então presidente da República (passando pelos sequestrados e sua familia, e os guardiães que tomavam conta dos sequestrados), é exposto de forma bastante próxima. Uma característica interessante é que ele não vacila em dar um desfecho de duas linhas para uma tensão construída em inúmeras páginas.
Minha admiração pelo livro é maior por se tratar de uma reportagem, de um "livro jornalístico", como diz o tradutor Eric Nepomuceno. Segundo ele, "nada do que está neste livro foi inventado". Isso me atrai muito. Não que eu não goste de ficção, mas a narrativa da realidade tráz uma proximidade maior com nosso dia a dia, com as dúvidas e qualidades de pessoas em contextos reais.
Para quem gosta de trabalhos deste tipo, sugiro assistir o documentário "A Revolução não será televisionada", que conta uma tentativa de golpe na Venezuela durante o governo de Hugo Chávez. É impressionante a proximidade com que registraram os acontecimentos: eles foram pegos de surpresa pelo golpe, durante uma reportagem dentro do palácio do governo. A partir daí registraram, com especial crítica à cobertura televisiva dos acontecimentos, todo o desenrolar da história. Infelizmente só peguei o final do documentário uma vez que passava na TV Câmara. Mas fica aí a dica.
Ps.: Várias vezes vi o Tupi finalizando seus pensamentos com "A Revolução não será televisionada!", e só há pouco tempo, quando descobri esse documentário, é que entendi de onde a frase veio.
Ps2.: Nas livrarias online você não acha o livro "Notícia de um seqüestro" por menos de R$ 30,00. Paguei R$ 9,00 no Carrefour.
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