Sabe quando emprestamos um livro e ele nunca mais volta? Isso aconteceu comigo uma vez, mas felizmente não aconteceu novamente dessa vez: recebi de volta o "Cartas perto do coração", troca de correspondências entre Fernando Sabino e Clarice Lispector de 1946 a 1969. Comecei a relê-lo na semana passada e estou quase terminando novamente. Esse "novamente" soa falso para meus ouvidos, é como se eu o estivesse lendo pela primeira vez. Comecei em uma página aleatória e estou em uma página que ignoro. Estou adorando, novamente.
Li dia desses no blog "Liberal, Libertário e Libertino", que o autor do blog, Alexandre, marca as passagens que o tocam durante a leitura de um livro: se ele deixa o livro sem marcas, é porque o livro não o marcou. Nunca tive esse hábito.. motivo pelo qual já me vi algumas vezes relendo páginas de livros a procura de passagens que me marcaram, guiado por vagas lembranças. Resolvi dessa vez, a cada passagem que me toca, interromper o fluxo da leitura e marcar a página. Agora, enquanto não tomo a coragem de sublinhar diretamente trechos com lápis ou caneta, ao menos minha busca será menor, e será tarefa mais fácil retomar cada trecho e dar a eles vazão que, geralmente, imagino durante a leitura: citar para um amigo, imprimi-lo e colar no meu quarto ou publicar no blog.
Sorteio um bookmark:
Talvez seja orgulho querer escrever, você as vezes não sente que é? A gente deveria se contentar em ver, às vezes. Felizmente tantas outras vezes não é orgulho, é desejo humilde.
- Clarice Lispector em uma carta para Fernando Sabino. Berna, 13 de outubro de 1946.
Um comentário:
Orgulho querer escrever? Acho que sim. Desejo humilde? Também :)
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