Então, todos os dias são diferentes, coisas novas acontecem, novas percepções, idéias, pensamentos.. se a intenção é a proximidade, vale a pena compartilhá-los regularmente? Estaria eu disposto a fazer esse esforço?
Sinto falta de proximidade, meus amigos estão longe, e a conexão mediática é e sempre será insuficiente. Isso meio que cria um vazio, uma expectativa de preenchimento, que no fim só se dá com a presença 'ao vivo', a interação direta. Não diria 'completa' pq a presença física não significa necessariamente proximidade; posso interagir com você presencialmente mas ainda assim perceber as grossas camadas que nos separam, mantendo o vazio intacto. E por vezes sou assim; e não é intencional. Cada tijolo dessas grossas paredes foram se solidificando em anos e anos de experiência prática em estar separado.
No entanto, claro, não me conformo com elas. Sou uma eterna angústia de vir a ser. Foram diversas as vezes em que viraram pó diante da atração mútua, mostrando-se 'nem tão sólidas'. O lance é torná-las a pó e, diante de um forçoso isolamento físico, mudar o hábito de ir empilhando tijolos ilusórios de separação. Ao invés disso cultivar a proximidade espiritual, mesmo que esta comece através de meios imperfeitos, incompletos.
Acho que vale a pena compartilhar, conectar, sentir o outro; mesmo que parcialmente. A proximidade espiritual, mesmo assim, pode acontecer; e é o que realmente importa. Se for possível eliminar a mediação e pessoalmente se encontrar com coração aberto, será mais intenso, melhor, completo.
quarta-feira, março 16, 2005
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