segunda-feira, maio 24, 2004

Começando a estudar sobre o Cosmos



Porventura compreenderam a expansão da terra?
Onde é o caminho da morada da luz,
E onde é local da escuridão...?

O Livro de Jó


Abaixo compartilho algumas reflexões desse início de aprendizado sobre o Cosmos, guiado principalmente pelo livro e série televisiva "Cosmos", de Carl Sagan.



Nosso conhecimento do Cosmos ainda está dando os primeiros passos. Sagan faz uma analogia comparando o Cosmos com um oceano... e nós, nesse caminho de conhecer o Cosmos, estamos ainda na altura onde as águas cobrem somente até nossos joelhos. Um dos acontecimentos que Sagan expõe com especial pesar e que significou um atraso na nossa jornada de exploração do cosmos, foi a destruição da grande biblioteca de Alexandria (Recentemente foi noticiado a descoberta do local onde a biblioteca se encontrava). Lá estava, por exemplo, um livro do astrônomo Aristarco de Samos, cujas descobertas foram perdidas com a destruição da biblioteca, e que tiveram que esperar dois mil anos para serem redescobertas.



Erastótenes, que um dia foi diretor da grande biblioteca de Alexandria, foi quem descobriu que nossa Terra era pequena. Foi lá, no século III a.c., que leu um manuscrito que dizia que em Siena, no dia 21 de Junho, varetas retas e verticais não produziam sombra ao meio-dia. Curioso o suficiente, fez esse experimento em Alexandria e descobriu que ali, ao contrário do que acontecia em Siena, as varetas produziam sombra mesmo estando nas mesmas condições descritas no manuscrito. Erastótenes se perguntou o por que daquilo. Inferiu que a Terra não poderia ser plana, já que se fosse, as varetas de Alexandria e Siena deveriam ter sombras iguais. Fez seus cálculos considerando que a Terra era redonda e os raios solares chegavam paralelos à Terra, e pela diferença do comprimento das sombras das varetas de Alexandria e Siena, calculou que existia uma diferença de 7 graus entre elas (ou seja, se as varetas verticais de cada cidade fossem compridas o suficiente para chegarem ao centro da Terra, veríamos que a diferença entre elas é de 7 graus.). 7 graus corresponde a mais ou menos 1 quinquagésimo de 360 graus. Considerando a distância de Siena à Alexandria de 800 km, temos que: 800 km x 50 = 40.000 km, que é a circunferência da Terra.



Os anos após 1959 são considerados os anos de ouro da exploração do sistema solar. Hoje já existem pessoas que consideram a possibilidade de nos mudarmos para Marte, o planeta com ambiente mais parecido com o da Terra.



Uma das principais dificuldades que encontramos na exploração do cosmos, são as distâncias enormes entre os planetas, estrelas, galáxias, etc, que de tão grandes, tornam as medidas normalmente utilizadas na Terra inúteis. A medida normalmente utilizada é a velocidade da luz. Em um segundo, um raio de luz percorre 300.000 km ou o equivalente a 7 voltas em torno da Terra. Partindo do Sol, um raio de luz leva 8 minutos para chegar à Terra. Então dizemos que o Sol está a uma distância de 8 minutos-luz. Mas não se acostume com minutos luz... ainda é medida pequena quando falamos do Cosmos. O normal é ouvirmos anos-luz, centenas de anos-luz, milhões de anos-luz... e, para expressar quantidades, variamos de bilhões a centenas de bilhão. Tudo é grandioso no estudo do Cosmos. Nossa galáxia por exemplo, contém cerca de 400 bilhões de estrelas e o grupo local de galáxias onde nossa via láctea está possui alguns milhões de anos-luz de extensão.



Só para nos localizarmos: estamos no planeta Terra, que está dentro do 'nosso' sistema solar (existem muitos sistemas solares, cada um separado do outro por anos-luz), que está dentro da Via Láctea (nossa galáxia, que possui cerca de 400 bilhões de estrelas da qual o nosso Sol é apenas uma delas, a única que conhecemos), que faz parte de um grupo local de galáxias com cerca de 20 galáxias constituintes. Para melhor ilustrar isso, veja uma animação muito interessante, que começa de uma distância de 10 milhões de anos-luz da Terra e vai se aproximando 10 vezes mais a cada quadro, até chegar à Terra (na verdade não pára por aí, continua se aproximando até mostrar uma folha de uma árvore na Terra e adentrar no universo subatômico dos elétrons e prótons.).

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