quarta-feira, maio 26, 2004

Software Livre, revolução silenciosa



Há um tempo atrás comprei um livro chamado "O Princípio da Cooperação - em busca de uma nova racionalidade", de Maurício Abdalla. Lá ele diz que as crises que vivemos (de relações sociais, crise da natureza, etc) são fruto de um princípio orientado à troca competitiva: aquela troca que visa a vantagem sobre o outro.



"Para que a humanidade possa garantir a continuidade de sua existência, é preciso reconstruir a racionalidade que fundamenta e orienta a ação do ser humano no mundo, afirmando um novo processo civilizatório."


http://www.paulus.com.br/portal/(...)




"Ou mudamos ou morremos, essa é a alternativa. Onde buscar o princípio articulador de uma outra sociabilidade, de um novo sonho para frente? Em momentos de crise total precisamos consultar a fonte originária de tudo, a natureza. Que ela nos ensina? Ela nos ensina, foi o que a ciência já há um século identificou, que a lei básica do universo, não é a competição que divide e exclui, mas a cooperação que soma e inclui. Todas as energias, todos os elementos, todos os seres vivos, desde as bactérias e virus até os seres mais complexos, somos inter-retro-relacionados e, por isso, interdependentes. Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, fazendo-nos seres cooperativos e solidários. Quer queiramos ou não, pois essa é a lei do universo. Por causa desta teia chegamos até aqui e poderemos ter futuro.



Aqui se encontra a saida para umo novo sonho civilizatório e para um futuro para as nossas sociedades: fazermos desta lei da natureza, conscientemente, um projeto pessoal e coletivo, sermos seres cooperativos." (...)


Leonardo Boff, http://www.bafafa.com.br/noticias.asp?(...)




Vejo no movimento do software livre e na cultura hacker (hacker não é cracker), uma bela expressão dessa cooperação que Abdalla propõe como alternativa para o princípio da troca competitiva. Uma vez lendo alguns trechos do "Sociedade em rede" do Manuel Castells, li que os criadores do modem (aparelho que torna possível a interligação de computadores através da linha telefônica) não patentearam sua criação. Isso tornou possível que o modem fosse rápida e amplamente utilizado por um grande número de pessoas. Essa foi uma das expressões do espírito hacker.


Mas talvez a maior expressão da cultura dos 'hackers de software' (definição de Eric S. Raymond), seja o linux, sistema operacional livre, estável, seguro, amplamente utilizado em servidores e que foi (e continua sendo) aperfeiçado através da cooperação de muitos programadores espalhados pelo globo.



Esses são alguns dos muitos sinais dessa revolução silenciosa, desse modo de pensar e agir que, mais do que nunca, hoje, é possível e se apresenta como uma saída completamente viável para a situação insustentável que nos encontramos hoje.



A disseminação silenciosa do software livre


"É uma revolução enorme, talvez tão importante quanto qualquer outra revolução da história da humanidade (por incrível que pareça, estou medindo bem minhas palavras, para não parecer exagerado), que acontece quase na surdina, sem nenhuma guilhotina. É uma revolução feita em regime colaborativo e descentralizado, sem um partido político no comando, mas com pedaços de código em computadores diferentes espalhados pelo planeta, comandados por gente que trabalha não para ficar rica, mas querendo o bem comum - e às vezes um pouco de fama, já que ninguém é de ferro."



"Qualquer movimento cultural, do punk a Luther Blissett, parece uma 'doença infantil' diante da ideologia do software livre."


Hermano Vianna, http://www.prefeitura.sp.gov.br/sid/artigos/hermano_viana.htm




O envelhecimento da patente



"A patente foi o motor das inovações no século 20. Provavelmente será o maior obstáculo às inovações no século 21." (...)


"O sistema de software livre, o trabalho em rede, coloca em xeque definitivamente essa verdade. Não significa que o Brasil tenha condições de romper com acordos de patentes unilateralmente. Significa que é questão de tempo para que esse instituto envelheça e seja considerado como o grande entrave à inovação em nível mundial." (...)


Luis Nassif, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2205200408.htm




Professor promove cruzada por computador popular



"Há pelo menos cinco anos Szajner vem dedicando conhecimento, tempo e até mesmo dinheiro a uma causa que considera vital para o Brasil: produzir um computador popular que ajude a promover a inclusão digital e social de milhões de brasileiros. Depois de inúmeras tentativas, o especialista montou, a partir de componentes encontrados no mercado, uma máquina com processador de velocidade média que, a seu juízo, teria condições de atingir tais objetivos. Sua luta, agora, é para conseguir que as autoridades brasileiras isentem o equipamento de impostos, o que faria com que fosse vendido por algo em torno de R$ 750, 25% mais barato do que o similar anunciado pelas lojas de informática." (...)



"No Brasil, mesmo nas casas mais humildes, sempre há um televisor. As estimativas dão conta da presença de 40 milhões de unidades no país. Minha idéia foi utilizar o aparelho no lugar do monitor?, explica." (...)



"A esta altura, Szajner já tinha chegado a um computador que dispensava o monitor, que era dotado de aparelho que reproduz DVD, que possibilitava a conexão com a internet e que permitia o uso de variados programas, como os editores de texto, de planilha etc. E tudo isso por um preço de aproximadamente R$ 750, considerando-se a isenção dos impostos. Excelente negócio, não? Não para o engenheiro eletrônico. Na sua visão, ainda era possível obter mais algum ganho. Isso foi feito por meio da adoção do software livre, medida que dispensa o pagamento da licença pelo uso do sistema operacional. Agora sim, ele havia finalmente alcançado o objetivo perseguido durante tanto tempo, qual seja, o de montar um computador popular." (...)



"Apesar de ter concretizado a idéia de conceber um computador barato, o professor acabou por estabelecer um novo e possivelmente mais complicado desafio: fazer com que o equipamento chegue às pessoas que hoje não têm acesso a essa tecnologia. Para tanto, é preciso encontrar um fabricante interessado em produzir a máquina em escala industrial e convencer as autoridades para a necessidade de isentar o produto de tributos." (...)



"'Se considerarmos que cada máquina pode ser usada por no mínimo duas pessoas, isso promoveria a inclusão digital e social de pelo menos 40 milhões de brasileiros. Sem contar que a fabricação dos computadores abriria novos postos de trabalho e geraria renda para as pessoas que fossem contratadas', argumenta o especialista." (...)



"'Vou continuar trabalhando por isso até quando puder. É como se a salvação da minha alma dependesse do sucesso desse projeto', exagera, em tom bem-humorado." (...)


http://www.unicamp.br/unicamp/(...)

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